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Publicado em 3 de janeiro de 2025

Os bons serviços da Suíça

Graças ao seu papel de mediadora, a Suíça contribuiu para a resolução de numerosos conflitos internacionais no passado. Atualmente, atua como força de proteção para países terceiros no caso de ruptura de relações diplomáticas e como anfitriã em conferências internacionais ou em reuniões de alto escalão. Os bons serviços estão incorporados na Constituição Federal, dentro do escopo das atribuições de política externa.

A imagem mostra a conferência internacional #PathToPeace na Suíça em 2024, com delegados de alto nível em frente às bandeiras nacionais e uma tela mostrando uma videoconferência.

Como país neutro com uma longa tradição federativa, não raro a Suíça oferece seus bons serviços a partes em conflito. Essa atuação pode limitar-se a providenciar um local de negociação ou a estabelecer ativamente contatos entre as partes e a oferecer serviços de mediação que conduzam a um entendimento entre as partes ou até mesmo a um acordo de paz.

Ao longo das últimas décadas, a Suíça esteve envolvida em mais de 30 negociações em mais de 20 países. Ela conseguiu, por exemplo, que fosse assinado um acordo de cessar-fogo nos Montes Nuba do Sudão. Participou em tratativas entre grupos rebeldes e o governo da Colômbia e viabilizou o contato oficial entre os rebeldes e o governo do Sri Lanka. No Nepal, contribuiu para o acordo de paz entre os rebeldes maoístas e o governo, e em Moçambique, entre o partido da oposição Renamo e o governo. A Suíça também apoiou durante anos as negociações relacionadas ao programa nuclear do Irã, que foram seladas com um acordo em 2015. No cenário de ofensiva militar em curso da Rússia contra a Ucrânia, a Suíça sediou uma conferência de alto nível sobre a paz na Ucrânia, em junho de 2024. O objetivo da reunião, que contou com a participação de 100 delegações de todo o mundo, foi chegar a um entendimento comum sobre um caminho possível para uma paz justa e duradoura na Ucrânia.

Diante do aumento de conflitos internos nos países nos últimos anos, a Suíça tem se visto obrigada a oferecer seus bons serviços também a grupos rivais, e não apenas a representantes de um Estado. Ultimamente, ela tem intervindo no contexto de operações coordenadas por vários Estados, a União Europeia ou por organizações internacionais como a ONU, ou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). No caso da guerra civil na Síria, por exemplo, a Suíça tem apoiado a ONU com conhecimentos técnicos, acolheu as negociações em Genebra em 2016 e criou a plataforma “Civil Society Support Room".

A Suíça também presta seus bons serviços como força de proteção em caso de conflito entre dois países. Ao fazê-lo, serve a um país como «caixa postal» para a preservação de seus interesses diplomáticos no país em conflito, permitindo assim a ambos os países um mínimo de relações. A Suíça tem hoje oito mandatos desse tipo: Irã no Egito e no Canadá, EUA no Irã, Rússia e Geórgia (bilateralmente), Equador e México (bilateralmente), Equador no Venezuela.

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